O conceito de aprendizagem na evolução humana

A aprendizagem, segundo Vygotsky, é uma modificação do comportamento do indivíduo a partir das experiências vividas, geralmente mediadas pelo outro. Segundo Piaget, o desenvolvimento é marcado por períodos que preparam o individuo para o estágio seguinte, seguindo uma hierarquia de acontecimentos, onde a crianças precisa agir sobre cada novo conhecimento para entendê-lo e absorvê-lo.

Ambas as teorias apresentam aspectos construtivistas, e se pensarmos que assim como experimentar o mundo e ser apresentado a ele por meio do outro ocorre simultaneamente enquanto nos desenvolvemos, devemos considerar os níveis abaixo como elementos decisivos para nossa aprendizagem.

Aprendizagem

SENSAÇÃO

É o nível mais primitivo do comportamento, referindo-se unicamente à ativação de estruturas sensoriais. É a partir das sensações que o indivíduo pode perceber o mundo que o cerca. Esse mecanismo é ativado a partir dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar. Cada sentido desenvolve-se de acordo com a idade mental de cada indivíduo, bem como sua estrutura cerebral. Setores diferenciados do cérebro controlam cada sensação dependente de cada órgão e retornam a resposta adequada a cada uma delas.

sensação com os 5 sentidos

 

PERCEPÇÃO

Constitui-se na tomada de consciência relativa a sensações em progresso (interpretação do estímulo e preparação de resposta). A eficiência da percepção depende de que o aparato neurológico seja capaz de converter, adequadamente, as sensações em impulsos elétricos. Apesar de ser um comportamento neurologicamente superior à sensação, do ponto de vista psicológico é, ainda, extremamente rudimentar. No entanto, é baseado na percepção que o indivíduo irá formar imagens. Você aprende a se defender de sensações desagradáveis durante o processo de percepção, gerando respostas rápidas e impulsivas imediatas. Como por exemplo ao tocar em superfícies quentes que podem queimar.

Percepção sensorial

 

FORMAÇÃO DE IMAGENS

Refere-se a sensações ou informações já recebidas e percebidas (interpretadas). Está relacionada aos processos de memória já que corresponde a um registro de aspectos das experiências vividas, ainda que a elas não se associem palavras (aspectos não verbais). As imagens formadas não se restringem apenas ao nível visual; são registros de percepções oriundas de quaisquer dos órgãos dos sentidos. Incluem-se, aqui, além das imagens do cotidiano, os sons sociais não verbais (ruídos de automóveis e máquinas, vozes de animais, etc), odores característicos de diversas coisas, os sabores típicos dos diferentes alimentos, texturas de objetos, assim como também a percepção social, ou seja, expressões faciais e corporais percebidas em várias situações. Em situações de trauma ocasionado em qualquer fase de aprendizagem, a imagem é aquela que sempre irá se apresentar em momentos críticos que relembrem o trauma sofrido.

Tela mental

SIMBOLIZAÇÃO

Habilidade descrita como exclusiva da espécie humana e que corresponde à capacidade de representar uma experiência de forma verbal ou não verbal. As simbolizações não verbais verificam-se através de símbolos visuais ou auditivos, em manifestações artísticas, musicais, religiosas e patrióticas. Incluem-se nesta categoria as capacidades de avaliar e recordar situações, emitindo julgamentos do tipo: perto – longe – grande – pequeno – alto – baixo – cheio – vazio – depressa – devagar, etc.

Dualidade da simbolização

As simbolizações verbais estão relacionadas a palavras. O ser humano apresenta três sistemas verbais: falado, escrito e lido. Tanto na história da espécie como no desenvolvimento de cada indivíduo, o primeiro destes sistemas a se instalar é o falado. Uma das prováveis razões para esse fato deve ser a facilidade de aquisição deste sistema, visto que está relacionado à audição, não podendo ser “desligado” nem necessitando de uma atenção direcionada, como acontece com a visualização. Além disso, a maturidade psiconeurológica aqui exigida é menor do que nos sistemas lido e escrito. Essas considerações nos levam a compreender porque a língua falada ocupa posição de destaque em nossas vidas, predominando além da infância.

No entanto, a linguagem escrita vai assumir um papel fundamental no processo de interação de cada ser com outras informações. Ao começar a se dar conta das características formais da escrita, a criança constrói duas hipóteses que vão acompanhá-la por algum tempo, durante o processo de alfabetização:

Primeiro: é preciso um número mínimo de letras – entre duas e quatro – para que esteja escrito alguma coisa.

Segundo: é preciso um mínimo de variedades de caracteres para que uma série de letras “sirva” para ler.

Algumas modificações relativas a estes sistemas verbais podem ser observadas em circunstâncias especiais, como a linguagem de sinais utilizada pelos surdos (libras) ou o Braille, código de escrita utilizado pelos cegos. A conquista da habilidade de simbolizar abre caminho para o domínio da conceituação.

braille

CONCEITUAÇÃO

É um complexo processo mental que envolve capacidades de abstração, classificação e categorização. Abstrair consiste em isolar mentalmente um objeto de reflexão dos fatores que comumente lhe estão relacionados na realidade. Classificação é a capacidade de reunir um objeto abstraído ao seu grupo de origem, a sua classe específica. E Categorização é a organização da experiência humana, processo pelo qual ideias e objetos são reconhecidos e diferenciados. Unindo os três elementos, cria-se então o conceito aprendido, dando-nos a capacidade de julgar, definir e avaliar a situação ou elemento ao qual estamos expostos.

Categorização

A aprendizagem humana ocorre o tempo todo e é nos primeiros anos de vida que criamos nossos conceitos mais básicos e necessários a nossa sobrevivência e convivência.

A exposição aos estímulos e interação com o meio é o que possibilita o desenvolvimento, e por essa razão existem diferenças entre conceitos de um individuo para outro. Uma criança que recebe menos estímulos poderá apresentar um nível diferenciado de aprendizado comparada aquela que recebe uma quantidade maior, o que nos faz entender que nem toda dificuldade de aprendizagem está necessariamente ligada a algum fator intrínseco, alguma alteração orgânica/ fisiológica real.

Portanto, devemos fornecer os estímulos adequados a cada fase de desenvolvimento, procurando não exceder a quantidade para não gerar estresse. Em casos que necessitarem de avaliação, sempre observar fatores intrínsecos e extrínsecos para diagnóstico e intervenções corretas.

Texto produzido por DANIELA BORGES 

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