O que é isso na prega vocal? (Interpretando as imagens)

NÓDULOS VOCAIS 

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Nódulos nas pregas vocais, popularmente conhecidos como calos nas cordas vocais, são lesões de massa, benignas, bilaterais e simétricas que acometem as pregas vocais e cuja formação está relacionada a um comportamento vocal alterado e inadequado, principalmente o abuso vocal. Os nódulos nas pregas vocais aparecem devido ao atrito brusco causado pelo contato frequente e em forte intensidade entre as pregas vocais durante a produção dos sons.

Essas lesões não são tumores, pois não são compostas por novas formações celulares. Elas são formadas por tecido edematoso e/ou fibras colágenas. Na fase inicial os nódulos podem ser unilaterais, ter um componente vascular e serem relativamente macios e flexíveis, mas na fase crônica já costumam ser bilaterais e mais rígidos.

PÓLIPOS VOCAIS

Pólipos em prega vocal

As pregas vocais podem apresentar lesões contendo sangue, denominadas pólipos. De caráter benigno, as principais causas de sua ocorrência são o esforço vocal – sussurrar, falar muito alto, falar demasiadamente quando gripado, pigarrear, tensionar certas sílabas, etc. e o tabagismo. Acredita-se que processos alérgicos e refluxos gastroesofágicos também podem propiciar este quadro.

Ocupando área variável e apresentando-se solitários ou em conjunto, são de massa lisa, gelatinosa e translúcida. Atingem as mais diversas faixas etárias, em ambos os sexos. A rouquidão é um de seus sintomas, já que tais formações atrapalham a vibração normal das pregas vocais. Irritação e presença de muco também podem indicá-los.

CISTO EPIDERMÓIDE

Cisto EpidermóideO cisto é definido como uma cavidade fechada e delimitada por uma cápsula revestida por tecido epitelial. Esta lesão provoca o enrijecimento da lâmina própria da mucosa deixando a produção vocal inadequada. É um tipo de tumor benigno, que contém líquido no seu interior (são como “bolsas de líquido”).

O fechamento glótico pode apresentar-se completo ou com fenda, dependendo das dimensões do cisto.

EDEMA DE REINKE

Edema de Reinke em prega vocal

Edema de Reinke é uma doença da laringe na qual as pregas vocais (cordas vocais) tornam-se progressivamente edematosas (inchadas), fazendo com que a voz fique rouca e de tonalidade grave. Este edema ocorre pelo acúmulo de líquido no espaço de Reinke, região situada logo abaixo do epitélio de cobertura das pregas vocais. O nome desta região anatômica é uma homenagem ao anatomista Friedrich Reinke, que a descreveu.

À medida que o líquido se acumula, este espaço se alarga, fazendo com que a prega vocal aumente sua espessura e se projete para o interior da laringe. Embora possa haver outras causas, tais como doenças da tireóide, refluxo gastro-esofágico e mau uso da voz, de longe, a causa mais freqüente desta enfermidade, é o tabagismo.

FENDAS GLÓTICAS

A proporção glótica é um parâmetro que expressa a relação de tamanho entre a porção anterior da glote – porção fonatória, que corresponde à região que engloba a parte membranosa das pregas vocais, e a porção posterior – porção respiratória, que corresponde na parte posterior ao ápice dos processos vocais das cartilagens aritenoides.

Dentro das alterações estruturais mínimas existem os desvios na proporção glótica, que estariam relacionados às fendas glóticas. E estas alterações podem se dividir de acordo com o processo de adução incompleto dos processos da voz:

1. Fendas Triangulares

  • Fenda Triangular Posterior : caracterizada por um fechamento glótico imperfeito em forma de triângulo na região posterior da prega vocal, na área respiratória.

Fenda triangular posterior em prega vocal

  • Fenda Triangular Médio-Posterior : caracterizada por um fechamento glótico imperfeito em forma de triângulo que atinge da região média até a região posterior da prega vocal (imagem A).
  • Fenda Triangular Médio-Posterior com presença de nódulo: caracterizada por um fechamento glótico imperfeito em forma de triângulo na região média e posterior da prega vocal com presença de nódulo vocal na região anterior (imagem B).
Fenda triangular médio-posterior em prega vocal

A)                                                                         B)

  • Fenda Triangular Ântero-Posterior: é a situação menos comum nas fendas triangulares, sendo que aqui ocorre o oposto da fenda médio-posterior.

2. Fendas Fusiformes

  • Fenda Fusiforme Anterior: têm a forma de um fuso com maior separação na região anterior.
  • Fenda Fusiforme Ântero-Posterior: Observa-se a formação de um fuso ao longo de toda a glote, sem região de contato efetivo.

Fenda glótica fusiforme

  • Fenda Fusiforme Posterior: têm a forma de um fuso com maior separação na região posterior.

3. Fendas Paralelas

  • Fendas Paralelas: é necessária uma cuidadosa avaliação para não confundir com a fenda triangular ântero-posterior, pois a Fenda Paralela é mais incomum de se encontrar. Ela é completamente uniforme em sua borda livre.

4. Fendas Duplas

  • Fendas Duplas: apresentam duas regiões de coaptação insuficiente, formando um pequeno fuso na região anterior e um triângulo na região posterior.

5. Fendas em Ampulheta

  • Fendas em Ampulheta: apresentam duas regiões de abertura gótica, à semelhança da fenda dupla, porém diferem essencialmente desta, já que na região posterior apresenta a aproximação dos processos vocais das Cartilagens Aritenóideas.

PARALISIA DE PREGA VOCAL

Paralisia de prega vocal

Paralisia significa a perda da capacidade de movimentos voluntários de um músculo por efeito de lesão ou até mesmo doença que afetem a unidade motora e o sistema nervoso central. Na paralisia de prega vocal os músculos tornam-se flácidos no início e, mais tarde, apresentam vários graus de atrofia e fibrose.

A paralisia de prega vocal pode resultar de lesão no sistema nervoso central e periférico. Pode ser unilateral ou bilateral, acometer o nervo laríngeo recurrente, nervo laríngeo superior ou ambos.

Paralisia de prega vocal bilateral é muito menos comum do que a paralisia de prega vocal unilateral. A paralisia de prega vocal bilateral pode ser em adução ou abdução.

LARINGITE CRÔNICA

Laringite crônica

Laringite é uma inflamação da laringe que faz com que a sua voz fique áspera ou rouca. A laringite pode ser de curto prazo ou de longa duração (crônica). Na maioria das vezes, ela surge rapidamente e dura não mais de duas semanas.

Laringite que dura mais de duas semanas é conhecida como laringite crônica. Este tipo de laringite é geralmente causado pela exposição a substâncias irritantes ao longo do tempo. Laringite crônica pode causar tensão das cordas vocais e lesões ou tumores na corda vocal (pólipos ou nódulos).

GRANULOMA

Granuloma

Granulomas ocorrem geralmente na região posterior laringe, mais comumente no processo vocal e no corpo da cartilagem aritenóide.

O processo inicia-se com trauma da região posterior da laringe. Ocorre o desenvolvimento de pericondrite devido a uma lesão abrasiva ou necrose do processo vocal que expõe a cartilagem. A resposta da área traumatizada é ulceração ou produção de granuloma. A este estágio segue-se a formação de um pólipo inflamatório pela proliferação de tecido central e epitelização da periferia. O refluxo gastroesofágico pode intensificar o processo inflamatório no processo vocal.

Usualmente são unilaterais, com área de irritação por contato no processo vocal oposto. Granulomas de intubação também podem ser subglóticos.

CARCINOMA

Carcinoma

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.

Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas.

LEUCOPLASIA

Leucoplasia

São lesões brancas da mucosa que podem acometer qualquer região da laringe, embora sejam mais frequentes nas pregas vocais. São consideradas pré-malignas, embora a presença de tumor ocorra em menos de 20% dos casos. Representam uma resposta tecidual à agressão repetida, via de regra pelo tabaco, refluxo gastroesofágico e álcool.

PAPILOMA

Papiloma

São tumores vegetantes (com aspecto semelhante ao de “couve-flor”), também conhecida por Papilomatose. É uma lesão de etiologia viral (pelo vírus HPV).

A papilomatose laríngea é uma doença da laringe que se caracteriza pela presença de lesões epiteliais de aspecto verrucoso, que podem ser sésseis ou pediculadas, únicas ou múltiplas, mas geralmente recorrentes.

TRATAMENTOS

O tratamento deve ser indicado pelo Otorrinolaringologista que é o profissional responsável pelo diagnóstico e que também definirá se tem indicação cirúrgica ou não.

Independente do momento pré ou pós-operatório ou apenas por tratamento através da  reabilitação vocal é fundamental associar a Intervenção Fonoaudiológica ao processo terapêutico.

Em caso de Indicação Fonoaudiológica, quando o paciente se envolve adequadamente no processo terapêutico e se dedica aos exercícios e à modificação dos comportamentos nocivos (englobando hábitos mais saudáveis à sua rotina) pode-se reverter o caso clínico adequadamente.

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Bibliografia

Behlau, Mara. Organização. Voz – O Livro do Especialista Volume 1 São Paulo, Editora Revinter, Reimpressão 2008.

6 respostas em “O que é isso na prega vocal? (Interpretando as imagens)

  1. SOBRE MINHA CIRURGIA DE,EDEMA DE REINKE,faz uns 25 anos fiz com o Dr .FLavio,do hospital samaritano ,minha voz nunca mais voltou normal ,agora sinto uma bola na garganta de desce e sobe,está horrível ,agora estou com 80 anos pensei que operando iria ter uma qualidade de vida melhor…mais esta pior ,o que você me aconselha. por favor ..obrigada, Marilisa.

    • Oi Marilisa, obrigada por sua visita.
      Fazer cirurgia é sempre uma caixinha de surpresas. Mas uma avaliação vocal com um fonoaudiólogo é imprescindível para o acompanhamento do caso. Muitas vezes o profissional consegue deixar a reabilitação bem próxima do padrão normal. Se você ainda não passou por um Fonoaudiólogo, sugiro fazer agora.
      Abraços
      Erica Sitta

  2. Fiz o exame de video e o medico diagnosticou “polipo telangiectasico”. Há necessidade de cirurgia ou somente tratamento com fono cura?

    • Olá Daiane. Os pólipos não são de fácil absorção como os nódulos vocais. Talvez seu médico indicará a cirugia mesmo. Mas logo após, há a necessidade de trabalho fonoaudiológico para perfeita recuperação do som da sua voz.

      Abraços
      Erica Sitta

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