NERVO FACIAL (e sua relação com a paralisia facial)

O nervo facial é um nervo misto, contendo fibras sensoriais e motoras. As fibras sensoriais transmitem informações sobre tato, dor e pressão, originadas na língua e faringe, além de informações produzidas nos quimioceptores dos brotamentos gustativos, situados na parte anterior da língua, que são levadas para o núcleo solitário (LUCENA, 1993). As fibras motoras inervam os músculos da expressão facial, sendo este o nervo facial propriamente dito (DANGELO e FATTINI, 1998).

Nervo Facial

O nervo facial possui localização no interior do Canal de Falópio, percorrendo um trajeto de mais ou menos 35 mm, sujeito à ação de processos compressivos e infecciosos de natureza variada, que podem interromper o seu fluxo nervoso, levando-o ao bloqueio total de suas funções. Possui aproximadamente 7000 neurofilamentos constituindo as fibras nervosas do nervo, reunidas em um cilindro eixo envolvido por uma tênue bainha de mielina (CHEVALIER, 1990).

Segundo Chevalier (1990), a estrutura do nervo facial é composta pela bainha, tecido fibroso que envolve o nervo como um todo e contém sua camada “vasa nervorum”; pelo epineuro, tecido conjuntivo que envolve o nervo como um todo interiormente à bainha; pelo perineuro, uma camada mesotelial fina e densa que envolve cada feixe de funículo nervoso; e pelo endoneuro, tecido conjuntivo que emoldura o interior do funículo nervoso e separa cada fibra nervosa.

Ramificação do Nervo Facial

Anatomicamente, o nervo facial origina-se no núcleo facial, situado na ponte, e emerge da parte lateral do sulco bulbo-pontino próximo, portanto, do cerebelo (ângulo ponto cerebelar). A seguir penetra no osso temporal pelo meato acústico interno e exterioriza do crânio pelo forame estilomastóideo, para se distribuir, através de seus ramos, aos músculos mímicos, estilohiódeo e ventre posterior do músculo digástrico, após trajeto dentro da glândula parótida. As fibras destinadas a esses músculos são as eferentes viscerais especiais, constituindo o componente funcional mais importante do VII par craniano. O nervo facial intermédio possui fibras aferentes viscerais especiais, que recebem impulsos gustativos originados nos 2/3 anteriores da língua; fibras aferentes viscerais gerais, que são em parte responsáveis pela parte posterior das fossas nasais e face superior do palato mole, além de responsáveis pela inervação pré-ganglionar das glândulas lacrimal, submandibular e sublingual; e fibras aferentes somáticas gerais, que juntamente com fibras do glossofaríngeo e do vago, são responsáveis pela sensibilidade de parte do pavilhão auditivo e do meato acústico externo (MACHADO, 1998).

MÚSCULOS INERVADOS PELO NERVO FACIAL

Os músculos faciais ou mímicos são conhecidos como músculos dérmicos, pois contrariamente ao que ocorre com outros músculos, estes se fixam ao esqueleto apenas por uma das extremidades, enquanto a outra se prende à camada profunda da pele. Sendo assim, eles podem mover a pele do escalpo e da face, modificando as expressões faciais que decorrem de ações combinadas de vários músculos e, assim sendo, um mesmo músculo pode interferir na expressão de diversos estados emocionais.
Estes músculos são voluntários e podem tornar mais rica a expressão facial em determinados indivíduos (DANGELO e FATTINI, 1998).

LESÃO DO NERVO FACIAL

A Paralisia Facial Periférica (PFP) é uma mononeuropatia frequente e pode originar-se por diversos tipos de afecção do nervo ou de seu núcleo motor. Desde que em 1830, Sir Charles Bell descreveu pela primeira vez uma debilidade unilateral da face, por disfunção do nervo facial, este subgrupo de paralisias idiopáticas passou a denominar-se paralisia de Bell (LASAOSA et al., 2000).

Paralisia Facial

Segundo Cambier et al. (1998), a paralisia facial periférica, também conhecida como Paralisia de Bell ou “frigore”, é caracterizada por uma paralisia do conjunto dos músculos da face, comprometendo os territórios faciais superior e inferior.

CLASSIFICAÇÃO DAS PARALISIAS FACIAIS

1. Paralisia Facial Periférica

Sua causa é a lesão dos neurônios do nervo facial, quer do corpo celular, quer dos axônios, em qualquer parte do trajeto nervoso. Há paralisia de toda a musculatura mímica de uma hemiface, a rima bucal desvia-se para o lado sadio devido à redução do tono no lado afetado, e o olho mantém-se aberto pela ação do músculo elevador da pálpebra (III nervo). Movimentos como franzir a testa, assobiar e exibir os dentes como num sorriso, tornam-se impossíveis. Quando a lesão acomete fibras do nervo intermédio, pode haver déficit da gustação dos dois terços anteriores da língua e redução da secreção lacrimal (NITRINI, 2005).

Paralisia Facial

2. Paralisia Facial Central

Apresenta-se contralateral à lesão, acometendo apenas o andar inferior da face, isentando, por exemplo, o orbicular dos olhos. Isso se deve ao fato de que a principal eferência do núcleo facial provém do córtex cerebral, através do trato córtico-nuclear e a porção dorsal do núcleo, que inerva a metade superior de uma hemiface, recebe eferências corticais dos hemisférios ipsi e contralateral. A porção ventral do núcleo, responsável pela inervação da musculatura mímica da metade inferior da hemiface, recebe apenas impulsos do hemisfério contralateral. Lesões supranucleares unilaterais causam a paralisia facial central, onde apenas a motricidade mímica da parte inferior da hemiface contralateral é comprometida, e a mímica da porção superior é pouco ou nada afetada, devido à inervação bilateral (NITRINI, 2005).

Comparação entre paralisia central e periférica

Legenda: 

A – Paralisia Facial Central

B – Paralisia Facial Periférica

*************************************************************************************************

Fan Page no Facebook

Para ajudar em sua pesquisa e consulta em Fonoaudiologia criamos uma Fan Page no Facebook. Nesta página, publicações serão expostas e comentadas em Educação Continuada, podendo estreitar perguntas e respostas e ainda tirar as muitas dúvidas de sua terapia fonoaudiológica. Venha participar você também! Curta: https://www.facebook.com/fonoaudiologiaericasitta

*************************************************************************************************

2 respostas em “NERVO FACIAL (e sua relação com a paralisia facial)

  1. Pingback: Paralisia Facial na Fonoaudiologia | Fonoaudiologia por Erica Sitta

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s