FORMAS DE DEGLUTIR – Possíveis atipias encontradas nas avaliações

Seja qual for a alteração encontrada na avaliação, o mais importante é, antes de simplesmente classificá-la como deglutição atípica, tentar compreender o como e o por que aquela ação ocorre daquela forma, e não de outra. Segue algumas possíveis atipias encontradas nas avaliações da deglutição.

1 – Com Interposição Lingual

A interposição lingual é uma característica do diagnóstico de atipia na deglutição, isto significa que a língua realizou projeção anterior ou contra os dentes anteriores.

Além da projeção lingual encontrada nas mordidas abertas anteriores, encontramos anteriorização da língua nos casos de hipotônia ou de tamanho desproporcional da língua. Pode ser que a língua tenha um tamanho normal mas que a cavidade oral apresente uma pequena dimensão para conter aquela língua.

OBS.: Na imagem temos uma deglutição adaptada devido a alteração dentária (mordida aberta anterior), porém vale para elucidar a interposição de língua.

2 – Com Presença de Contração da Musculatura Periorbicular

Outra característica de atipia frequentemente apontada é a contração da musculatura
periorbicular. Esta contração ocorre, em geral, quando há, ou houve, no passado, projeção da língua anteriormente. Tal contração significa um reflexo natural que evita que a língua se projete para fora trazendo consigo o alimento a ser deglutido.

3 – Sem Contração do Masseter

A não contração do masseter durante a deglutição, como sinal de atipia, é uma
característica mal compreendida. Se olharmos, com mais detalhes, o que acontece normalmente na deglutição, iremos observar que após o bolo se formar, a língua o recolhe e o leva para cima. Neste momento, há uma elevação da mandíbula com consequente contração da musculatura elevadora. Os músculos elevadores são o temporal, o masseter, o pterigóideo medial e o pterigóideo lateral. De fato, se colocássemos a mão sobre o masseter, no momento em que a língua se eleva em direção ao palato, segurando o bolo sobre ela, iríamos perceber esta contração da musculatura elevadora. Mas, se observarmos melhor, poderemos verificar que o sujeito ainda não está deglutindo. Ele apenas posicionou o bolo para iniciar o processo de posteriorização do mesmo, através dos movimentos ondulatórios da língua. No instante seguinte, a musculatura elevadora relaxa, cessando a contração. Se mantivermos a contração da musculatura elevadora durante a passagem da fase oral para a fase faríngea, poderemos perceber uma dificuldade evidente, com grande esforço do dorso da língua. Porém no momento exato da deglutição, a musculatura elevadora não está contraída.

4 – Com Contração do Mentalis e Interposição de Lábio Inferior

Com relação à contração do mento durante a deglutição, observamos que esta
contração, assim como a interposição do lábio inferior, acontece com maior freqüência em pacientes Classe II de Angle, com “over jet”. Ao deglutir, precisamos de vedamento anterior e este vedamento é realizado pelo contato suave dos lábios. Se o distanciamento, no sentido ântero posterior entre maxila e mandíbula é grande, não há como os lábios se tocarem. Então, o vedamento passa a ocorrer com o lábio inferior atrás dos incisivos superiores. Esta interposição, do lábio inferior, faz com que o mentalis se contraia além do normal. Cabe ressaltar, que a interposição do lábio inferior ocorre pela necessidade de vedamento anterior. Porém, em alguns casos, apesar do “over jet” já ter sido eliminado pela correção ortodôntica, este hábito permanece. Esta maneira de deglutir, com interposição labial, pode aumentar ou manter o “over jet”.

5 – Com Movimento de Cabeça

Os movimentos de cabeça, quase sempre com estiramento da musculatura anterior do
pescoço durante a deglutição, estão, no geral, associados à má mastigação. Quando a mastigação, por alguma razão, não ocorre de maneira adequada, deixando o bolo maior, ou não homogêneo, fica difícil a passagem do mesmo para a orofaringe. O movimento de cabeça ocorre, portanto, em consequência de um problema ocorrido durante a mastigação, e não por um problema específico da deglutição. Esta característica, movimento de cabeça durante a deglutição, deve ser enquadrada como um problema mastigatório que leva a um problema no ato de deglutir, e não como uma característica de atipia da deglutição.

6 – Com Ruídos

Os ruídos ocorridos durante a deglutição, que devem ser diferenciados dos ruídos que ocorrem durante a mastigação, aparecem pelo excesso de força do dorso da língua.  Esta inversão, do apoio da ponta pelo dorso, ocorre, de maneira geral, porque a ponta é hipotônica e está baixa. Também pode ocorrer quando o terço inferior da face estiver muito aumentado, levando a língua a um posicionamento de ponta baixa e dorso alto que se mantém quando o paciente deglute.

7 – Com Resíduos após Deglutir

Os resíduos alimentares permanecem na boca após a deglutição por
diversas razões. Dentre elas, a mais comum é quando o bucinador (músculo da bochecha), está hipotônico ou hipofuncionante, permitindo que o alimento que cai no vestíbulo, durante a mastigação, ali permaneça. Outra razão, menos frequente para a sobra de alimentos na cavidade oral após a deglutição, é quando há diminuição da quantidade de saliva na boca, dificultando a formação do bolo. A alteração da mobilidade, ou propriocepção da língua, dificultando a formação do bolo, assim como a falta de percepção do alimento na boca, também podem ser consideradas causas de resíduos. Como observamos, sobrar alimentos na boca dificilmente é conseqüência da deglutição em si.

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Bibliografia

http://www.cefac.br/library/artigos/9e89fc59acbd3e0a12444e910760ba87.pdf

Imagens:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-56872005000300003&script=sci_arttext

http://terapiadomovimento.blogspot.com.br/2009/06/abordagem-da-fisioterapia-nas.html

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