Qual a importância de se respirar pelo nariz?

Vamos falar sobre respiração. Uma função importantíssima que nos preenche de vida e se adequada também nos trás benefícios mentais e emocionais.

Respiração é o processo pelo qual um organismo vivo realiza trocas gasosas, em especial do oxigênio, com o seu meio ambiente. Parar de respirar pelo nariz e começar a respirar pela boca (respiração oral) ocasiona prejuízos ao ser humano, assim como respirar pelo nariz de maneira inadequada. Alguns destes prejuízos são bastante visíveis, como as assimetrias faciais e os problemas posturais. Outros são menos perceptíveis, como a diminuição da concentração e aumento da ansiedade.

O fato de o fluxo aéreo não ser conduzido pelo nariz deve ser considerado condição patológica, e não uma alternativa fisiológica. Quando há interferência ou desvio no padrão de respiração nasal, por manifestação de determinados fatores etiológicos (rinite, sinusite, desvio de septo, entre outros), ocorre esta mudança do padrão respiratório (QUELUG, 2000; MOTONAGA, 2000).

A dificuldade de respirar pelo nariz pode ser consequência de um hábito antigo instalado. Os inconvenientes de ordem física começam com a insuficiência da alimentação de ar nos pulmões acompanhada de uma asfixia parcial pela diminuição da quantidade inalada. Pessoas com este padrão respiratório são mais sujeitas às infecções por germes do ar, ao contrário das pessoas de respiração adequada que utilizam da ação bactericida do muco do nariz, obtendo maior proteção contra estes agentes invasores (HERMÓGENES, 2007).

Na inquietude mental e emocional observa-se a respiração acelerada. Entretanto, em pessoas nos estados físico, mental e emocional tranquilo, ela se apresenta lenta. Envolvendo um conflito entre pensamentos ou desejos antagônicos, a respiração se faz irregular ou arrítmica. E se, no entanto, a pessoa se encontrar íntegra, livre de contradições psíquicas, sua respiração se mostrará compassadamente e tranquila. (HERMÓGENES, 2007)

Um padrão alterado de respiração pode aparecer por motivos e situações diferentes devendo ser investigados. Sennes & Sanches (1997) ressaltam que dificuldades respiratórias solicitam esforços compensatórios da musculatura perioral (ao redor da boca) e supre-hióidea (do pescoço, abaixo do queixo), gerando um efeito negativo sobre o desenvolvimento e função dento-facial (alterações dentárias e/ou ósseas) pela diminuição da tonicidade muscular.

Além das alterações faciais citadas acima, pode-ser observar alterações corporais associadas a alterações respiratórias. A respiração pela boca interfere no posicionamento da língua, necessitando esta ficar rebaixada para a entrada de ar, assim perdendo seu tônus desenvolve-se uma flacidez lingual. Perdendo sua tonicidade perde-se também a mobilidade adequada por fraqueza muscular, o que vem a interferir na movimentação durante a mastigação e comprometendo a formação do bolo alimentar. Alimento mau mastigado também é mau digerido refletindo aumento de gases intestinais e perturbações digestivas.

Além de internos os problemas também são físicos externos. A cabeça começará a anteriorizar para inspirar o ar pela boca, começando a alteração da coluna vertebral. Ombros voltados para frente e costelas fechadas, o pulmão terá menos movimentação, e os órgãos internos terão que se reajustar ao novo padrão físico. Comprimindo pulmão, resultará no rebaixamento do estômago e preensão do intestino. O quadril também terá que se ajustar havendo o realinhamento incorreto de ossos das pernas, joelhos, tornozelos e pés.

Esquerda alteração corporal em decorrência de respiração oral e a Direita o alinhamento adequado

Respirar inadequadamente pelo nariz também acarretará prejuízos, tais como a diminuição da oxigenação cerebral decorrente da respiração encurtada. As consequências serão cansaço físico e mental, falta de atenção e memória e diminuição da concentração.

Consulte um Fonoaudiólogo para avaliação das alterações respiratórias e reeducação respiratória. Lembrando que o diagnóstico da obstrução sempre deverá ser dado por um médico otorrinolaringologista.

Bibliografia:

Quelug DP, Gimenez CM. A síndrome do respirador bucal. Rev CROMG, v.6, p. 4-9, 2000.

Motonaga SM, Berti LC, Anselmo Lima WT. Respiração bucal: causas e alterações no sistema estomatognático. 2000. (dissertação). Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2000.

Hermógenes. Autoperfeição com Hatha Yoga: um clássico sobre saúde e qualidade de vida. 48°ed. RJ: Nova Era, 2007.

Sennes LV, Sanches TG. Doenças associadas e complicações da rinite alérgica. In: Morato FF. Rinite alérgica: modernas abordagens para uma clássica questão. São Paulo: Lemos, 1997, p. 235-246.

Esse post foi publicado em Respiração e marcado , por Erica Sitta. Guardar link permanente.

Sobre Erica Sitta

Sou Fonoaudióloga formada pelo Centro Universitário de Araraquara (UNIARA). Pós-graduada em Motricidade Orofacial; Atuação em Motricidade Orofacial em casos Odontológicos; Voz; Neurociência e processo de envelhecimento cerebral pela Universidade de São Paulo (FOB/USP). Formação em Thai Massagem, Massagem com pedras frias e quentes e também em Bambuterapia. Pós-graduada em Biopsicologia: Ciência do corpo e da mente pelo Instituto Visão Futuro. Mestre em Ciências (Atuação em Saúde Coletiva) pela Universidade de São Paulo (FOB/USP). Professora de Hatha e Tantra Yoga.

3 respostas em “Qual a importância de se respirar pelo nariz?

  1. Muito bom minha Amiga, faz tempo que tento implementar meus atendimentos com técnicas respiatórias. Você nos deu um presente de facil entendimento, valeu… Adelton.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s